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Como evitar preocupacoes e comecar a viver

by darleirabe

on Jul 24, 2015

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  • Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Carnegie, Dale, 1888-1955. Como evitar preocupações e começar a viver / Dale Carnegie ; tradução de Breno Silveira ; revista por José Antonio Arantes de acordo com a edição americana de 1984 aument Dorothy Carnegie. — 37. ed — São Paulo : Companhia Editora Nacional, 2003. Titulo original: How to stop worrying and start living ISBN 85-04-00485-6 1. Autoconfiança 2. Conduta de vida 3. Felicidade 4. Preocupação 5. Sucesso I. Carnegie, Dorothy, 1912-. II. Titulo. 02-0350 CDD-158.1 índices para catálogo sistemático: 1. Arte de viver : Psicologia aplicada 158.1 2. Autoconfiança : Psicologia aplicada 158.1 3. Felicidade : Psicologia aplicada 158.1
  • DALE CARNEGIE COMO EVITAR PREOCUPAÇÕES E COMEÇAR A VIVER Tradução de Brenno Silveira revista por José Antonio Arantes de acordo com a edição americana de 1984 aumentada por Dorothy Carnegie 37" edição 1° reimpressão revista e atualizada por Alípio Correia de Franca Neto, de acordo com as modernas diretrizes dos sponsors Dale Carnegie no Brasil C O M P A N H I A EDITORA N A C I O N A L
  • Do original norte-americano: How to Stop Worrying and Start Living Versão autorizada por Simon and Schuster. Inc., de Nova York © Copyright 1948 by Dale Carnegie © Copyright renewed 1975,1982 remewed by Donna Dale Carnegie and Dorothy Carnegie. © Copyright renewed 1984 by Donna Date Carnegie and Dorothy Carnegie (Revised Edition) © Copyright 1981 by Donna Dale Carnegie and Dorothy Carnegie (Revised Edition) Revisão da tradução: Alípio Correia de Franca Neto, com aprovação dos sponsors Dale Carnegie no Brasil, 2000. Revisão: Sandra Mara S. Franca Fxlitoração eletrônica: Eiko Luciana Matsuura Supervisão editorial: Ana Cândida Costa Do mesmo autor: Comofazer amigos e influenciar pessoas Lincoln, esse desconhecido Como desfrutar sua vida eseu trabalho Direitos reservados COMPANHIA EDITORA NACIONAL Distribuição e promoção Av. Alexandre Mackenzie, 619- Tel.: (11) 6099-7799 CEP 05322-000-Jaguaré- São Paulo- SP- Brasil 2005 Impresso no Brasil www. ibep-nacional. com. br editoras@ibep-nacional. com. br
  • Este livro é dedicado o um homem que não precisa lê-lo: LOWELL THOMAS
  • 6 7 5 6 0 5 0 4 5 0 Sumário PREFACIO C O M O E POR QUE ESTE LIVRO FOI ESCRITO Nove Sugestões Sobre Como Tirar o Máximo Proveito Deste Livro 2 PARTE I FATOS FUNDAMENTAIS QUE VOCÊ DEVE SABER A RESPEITO DAS PREOCUPAÇÕES 1 Viva em "Compartimentos Diários Hermeticamente Fechados" 2 2 Uma Fórmula Mágica Para Resolver Situações Que Causam Preocupação 3 O Que as Preocupações Podem Causar a Você PARTE II TÉCNICAS BÁSICAS PARA A ANÁLISE DAS PREOCUPAÇÕES 4 Como Analisar e Resolver os Problemas Que nos Preocupam 5 Como Eliminar Cinqüenta Por Cento das Suas Preocupações Profissionais
  • ......................................114 .....144 1 1 2 3 4 2 6 7 5 6 3 PARTE III C O M O ACABAR C O M O HÁBITO DA PREOCUPAÇÃO ANTES QUE ELE ACABE C O M VOCÊ 6 Como Expulsar da Mente os Suas Preocupações 8 7 Não Deixe Que os Insetos o Derrubem 9 8 Um Princípio Que Acabará Com Muitas das Suas Preocupações 10 9 Coopere Com o Inevitável 1 O Aplique Uma Ordem de Stop-Loss às Suas Preocupações 12 1 1 Não Tente Serrar Serrage 13 PARTE IV SETE MANEIRAS DE CULTIVAR UMA ATITUDE MENTAL QUE LHE PROPORCIONE PAZ E FELICIDADE 1 2 Nove Palavras Que Podem Transformar a Sua Vida 1 3 O Elevado Custo da Desforra 1 6 1 4 Se Você Fizer Isto, Jamais Se Preocupará Com a Ingratidão 17 1 5 Você Aceitaria Um Milhão de Dólares em Troca do Que Possui? 18 1 ó Procure Encontrar-se e Ser Você Mesmo: Lembre-se de Que Não Há Ninguém Mais na Terra Como Você 9 1 7 Se Você Tiver Um Limão, Faça Uma Limonada 20 18 Como Curara Melancolia em Catorze Dias 21
  • 1 300 3 ...287 1 4 266 1 256 1 PARTE V A MANEIRA MAIS PERFEITA PARA VENCER AS PREOCUPAÇÕES 19 Como Que Minha Mãe e Meu Pai Venceram as Suas Preocupações 23 PARTE VI C O M O DEIXARMOS DE NOS PREOCUPAR C O M AS CRÍTICAS 20 Lembre-se de Que Ninguém Chuta Um Cão Morto.. 21 Faça Isto — e Crítica Alguma Poderá Feri-lo 26 22 Tolices Que Cometi PARTE VII SEIS MANEIRAS DE EVITAR A FADIGA E AS PREOCUPAÇÕES E CONSERVAR A ENERGIA E O Â N I M O ELEVADOS 23 Como Acrescentar Uma Hora à Sua Vida Diária 27 24 O Que Deixa Você Cansado — e o Que Fazer Para Que Isso Não Aconteça 28 25 Como Evitar a Fadiga — e Continuar Parecendo Jovem! 26 Quatro Excelentes Hóbitos de Trabalho Que Ajudarão a Evitar o Cansaço e os Preocupações 29 27 Como Acabar Com o Tédio, Que Gera Fadiga, Preocupações e Ressentimentos 28 Como Evitar Que Nos Preocupemos Com a Insônia ........31
  • 356 353 350 348 346 345 343 341 339 337 334 325 324 320 PARTE VIII "COMO VENCI AS MINHAS PREOCUPAÇÕES" Seis Grandes Infortúnios Ocorreram-me Simultaneamente por C. J. BLACKWOOD ................................ Posso Transformar-me, Numa Hora, Em Um Intenso Otimista por ROGER W. BABSON ................................................................ Como Me Desfiz De Um Complexo De Inferioridade por ELMER THOMAS .................................................................... Eu Vivi No Jardim De Alá por R. V C. BODLEY....................................................................................... 330 Os Meus Cinco Métodos Para Acabar Com As Preocupações pelo PROF. V^ILLIAM LYON PHELPS ................................................... Suportei Ontem. Posso Suportar Hoje por DOROTHY Dix..................................................................... Eu Não Esperava Viver Até A Manhã Seguinte porJ. C. PENNEY............................................................................................... Vou Até O Ginásio Boxear Com O Saco De Areia Ou Faço Um Passeio A Pé pelo CORONEL EDDIE EAGAN ............................................................................. Eu Era O "The Worrying V/reck From Virginia Tech" porJiM BIRDSALL ............................................................................................... Vivi Segundo Esta Sentença pelo DR. JOSEPH R. SIZOO............................................................ Cheguei Ao Fundo Do Poço E Sobrevivi por TED ERICKSEN ..................................................................... Eu Era Um Dos Maiores Idiotas Do Mundo por FERCY H. WHITING ................................................................ Procurei Conservar Sempre Desimpedido O Meu Caminho De Abastecimento por GENE AUTRY ....................................................................... Ouvi Uma Voz Na India por E. STANLEY JONES ............................................................... Quando O Xerife Chegou À Minha Porta por HOMER CROY ..............................................................................................
  • 362 360 393 392 384 381 379 377 376 374 372 370 368 364 O Mais Duro Adversário Que Já Enfrentei Foi A Preocupação por JACK DEMPSEY ..................................................................... Roguei A Deus Que Me Conservasse Fora De Um Orfanato por KATHLEEN HALTER ........................................................................................ Eu Estava Agindo Como Uma Mulher Histérica por CAMERON SHIPP ................................................................... Aprendi A Deixar As Preocupações De Lado Vendo Minha Mulher Lavar Pratos pelo REVERENDO W ILLIAM WOOD ........................................................................ Eu Encontrei A Resposta por DEL HUGHES ....................................................................... O Tempo Resolve Uma Porção De Coisas por LOUIS T MONTANT, JR ................................................................................... Recomendaram-me Que Me Abstivesse De Falar Ou De Mover Sequer Um Dedo por JOSEPH L. RYAN ........................................................................................... Sou Um Grande Volúvel por ORDV/AY TEAD ............................................................................................. Se Eu Não Tivesse Posto As Preocupações De Lado, Já Estaria Há Muito Na Sepultura por CONNIE MACK ...................................................................... Livrei-me Das Úlceras No Estômago E Das Preocupações, Mudando De Emprego E De Atitude Mental por ARDEN W SHARPE ................................................................. Eu, Agora, Espero A Luz Verde por JOSEPH M. COTTER ...................................................................................... De Como John D. Rockefeller Viveu, Com Tempo Emprestado, Durante Quarenta E Cinco Anos ..................... Estava me Suicidando Lentamente Porque Não Sabia Como Repousar por PAUL SAMPSON ............................................................................................. Aconteceu-me Um Verdadeiro Milagre pela SRA. JOHN BURGUER ..................................................................................
  • 408 408 406 .403 402 401 400 400 400 397 396 ............................. Como Benjamin Franklin Venceu As Preocupações ............. Estava Tão Aflita, Que, Durante Dezoito Dias, Não Provei Um Bocado Sequer De Alimento Sólido por KATHRYNE HOLCOMBE FARMER............................. Os TREINAMENTOS DE DALE CARNEGIE .................................................................. Curso de Comunicação Eficaz e Relações Humanas ............ Treinamento de Vendas Dale Carnegie ................................. Seminário de Gerência e Administração Dale Carnegie ........ Treinamento de Liderança Dale Carnegie ............................. Programa Apresentações Estratégicas de Alto Impacto ........ OUTROS LIVROS .................................................................................................... OBRAS DE DALE CARNEGIE JÁ TRADUZIDAS NO BRASIL ............................................. OBRA DE DOROTHY CARNEGIE ...............................................................................
  • Prefácio Como e Por Que Este Livro Foi Escrito Em 1909, eu era um dos rapazes mais infelizes de Nova York. Vendia motores de caminhão para viver. Mas não sabia como é que ura motor funcionava. E isso não era tudo: não queria saber. Detestava o meu trabalho. Odiava ter de viver num quarto barato e mal mobiliado, em West Fifty-six Street — um quarto infestado de baratas. Lembro-me ainda de que tinha algumas gravatas penduradas na parede, e que, pela manhã, quando estendia a mão para apanhar uma delas, as baratas corriam em todas as direções. Detestava ter de comer em restaurantes sujos e mal freqüentados, que eram, também, provavelmente, infestados de baratas. Chegava ao meu quarto solitário, todas as noites, com uma dor de cabeça terrrível — uma dor de cabeça acarretada e alimentada por desapontamentos, preocupações, amargura e rebeldia. Revoltava-me pelo fato de os meus sonhos do tempo de colégio terem-se transformado em pesadelos. Aquilo era vida? Era aquela a ventura que aguardara tão ansiosamente? Acaso a vida, para mim, significaria trabalhar sempre num emprego que detestava, viver em meio a baratas, comer alimentos horríveis e não esperar nada do futuro? Ansiava por conseguir tempo para ler — para escrever os livros com que sonhara nos tempos de colégio.
  • Sabia que só teria a ganhar, e nada a perder, se renunciasse ao emprego que eu detestava. Não me interessava ganhar muito dinheiro, mas tirar o máximo proveito da vida. Havia chegado, em suma, ao Rubicão — ao momento de decisão que a maior parte dos jovens enfrenta ao começar a vida. Tomei , pois , uma decisão — e essa decisão m u d o u completamente o meu futuro. Fez com que o resto da minha vida fosse mais feliz e compensador do que poderia eu desejar. Eis a decisão: renunciaria ao trabalho que odiava e, como passara quatro anos estudando no State Teachers College em Warrensburg, Missuri, preparando-me para o magistério, ganharia a vida em escolas noturnas, como professor de cursos para adultos. Iria ter os dias livres para ler, preparar confe- rências, escrever contos e novelas. Desejava "viver para escre- ver e escrever para viver". Que matéria deveria ensinar aos adultos, à noite? Ao olhar para trás, fazendo o balanço dos conhecimentos que adquirira no colégio, vi que a prática e a experiência que tivera em ora- tória me tinham sido mais valiosas no trabalho — e na vida — do que todas as outras coisas juntas que eu havia estudado. Por quê? Porque tinham acabado com a minha timidez e com a falta de confiança em mim mesmo, dando-me coragem e segurança para lidar com os meus semelhantes. Estava também persuadido de que os cargos de liderança ficam, geralmente, em torno de homens que têm coragem de levantar- se e dizer em público o que pensam. Candidatei-me a um lugar de professor de oratória nos cursos de extensão noturnos, nas Universidades de Colúmbia e Nova York, mas essas universidades resolveram que podiam continuar a lutar, de algum modo, sem o meu auxílio. Nessa ocasião, senti-me desapontado — mas hoje agrade- ço a Deus por terem recusado a minha colaboração, pois
  • comecei a lecionar nas escolas noturnas da Associação Cristã de Moços, onde eu deveria demonstrar resultados concretos, e fazer isso o quanto antes. Que desafio isso era para mim! Aquelas criaturas adultas não freqüentavam as minhas aulas porque desejassem prestígio social ou quisessem gabar-se de ter freqüentado tais cursos. Freqüentavam-nas unicamente por uma razão: queriam resolver os seus problemas. Queriam ser capazes de levantar-se e dizer algumas palavras numa reunião profissional sem desmaiar de medo. Os vendedores desejavam poder visitar um freguês ríspido sem ter de, antes, dar três voltas pelo quarteirão, para criar coragem. Queriam ter uma atitude digna, tranqüila, e confiança em si próprios. Queriam progredir nos negócios. Dispor de mais dinheiro para manter a sua família. E como estavam pagando o seu treinamento na base de mensalidade — e deixariam de pagar se não conseguissem resultados práticos — e eu estava recebendo não um salário fixo, mas uma porcentagem dos lucros, tinha de ser prático, se quisesse comer. Naquela época, tinha a impressão de que estava lecionando numa situação difícil, mas agora compreendo que estava adquirindo uma experiência que dinheiro nenhum poderia pagar. Tinha de motivar os meus alunos. Tinha de ajudá-los a resolver os seus problemas. Precisava tornar cada aula tão inspiradora, que eles desejassem continuar os seus estudos. Era um trabalho estimulante. Eu o adorava. Ficava surpreso com a rapidez com que aqueles homens de negócio adquiriam confiança em si mesmos — e com que rapidez muitos deles conseguiam promoções e aumentos de salário. As aulas es tavam t endo mais sucesso do que a minha maior demonstração de otimismo poderia prever. Dentro de três períodos letivos, a Associação Cristã de Moços, que recusara pagar-me cinco dólares por noite, estava me pagando trinta
  • dólares diários, em base de porcentagem. A princípio, ensinava apenas como falar em público, mas, com o correr dos anos, vi que aquelas criaturas necessitavam também de habilidade para fazer amigos e influenciar pessoas. E como não me foi possível encontrar um compêndio adequado sobre relações humanas, eu próprio o escrevi. Foi escrito — não, não foi escrito como se faz habitualmente. Nasceu, surgiu das experiências dos adultos que freqüentavam o meu treinamento. Eu o intitulei: Como fazer amigos e influenciar pessoas. Como foi escrito somente para servir de compêndio em meu treinamento de adultos — e como já havia escrito quatro livros dos quais ninguém jamais ouvira falar — nunca imaginei que ele pudesse vender muito: sou, provavelmente, um dos escritores vivos mais surpresos. Com o decorrer dos anos, verifiquei que mais um grande problema que aflige esses adultos é a preocupação. A maior parte dos meus alunos era composta de homens de negócios — diretores , vendedores , engenheiros , contadores — representantes de todos os ramos de negócios e profissões — e essa parte tinha problemas! Havia também mulheres no treinamento —mulheres que trabalhavam fora e donas-de-casa. Elas, também, tinham problemas! Não havia dúvida: eu necessitava era de um compêndio que ensinasse a superar as preocupações — de modo que tentei encontrá-lo. Fui à grande Biblioteca Pública de Nova York, na 5. Avenida e Rua 42, e descobri, com espanto, que a biblioteca possuía apenas vinte e dois livros classificados sob o verbete Preocupação. Notei, também com surpresa, que havia cento e oitenta e nove livros sob o verbete Verme Quase nove vezes mais livros sobre (1) Em inglês a palavra preocupação é Worry e verme, Worm. Daí ter o autor, ao procurar a primeira palavra, ter encontrado antes o verbete de "vermes". (N. do T.)
  • vermes do que sobre preocupação! Espantoso, não é mesmo? Já que a preocupação é um dos maiores problemas que afligem a humanidade, você pensaria que todos os ginásios e colégios do mundo deveriam ter um curso de "Como Evitar as Preocupações" não é certo? Apesar disso, se é que há um curso sobre tal matéria, em qualquer colégio do universo, eu jamais ouvi falar dele. Não estranha que David Seabury tenha dito, em seu livro How to Worry Successfully: "Chegamos à maturidade tão mal preparados para as pressões da experiência como uma traça à qual se pedisse que dançasse um balé". Qual o resultado? Mais da metade dos leitos dos nossos hospi ta is são ocupados por pessoas que so f rem de perturbações nervosas e emocionais. Examinei os vinte e dois livros sobre preocupação que repousavam nas estantes da Biblioteca Pública de Nova York. Comprei também todos os livros sobre preocupação que con- segui encontrar. Contudo, não me foi possível descobrir sequer um único que eu pudesse usar em meu treinamento para adultos. Assim, resolvi eu mesmo escrever um. Comecei a preparar-me para escrever este livro há sete anos. De que maneira? Lendo o que os filósofos de todos os tempos escreveram a respeito das preocupações. Li também centenas de biografias, desde Confúcio até Churchill. Entrevistei dezenas de personalidades proeminentes em muitos setores, tais como Jack Dempsey, o general Omar Bradley, o general Mark Clark, Henry Ford, Eleanor Roosevelt e Dorothy Dix. Mas isso foi só o começo. Fiz também uma outra coisa muito mais importante do que as entrevistas e as leituras. Trabalhei durante cinco anos num laboratório onde se procurava descobrir como evitar as preocupações — um laboratório que funcionava em nossos próprios treinamentos para adultos. Segundo me consta, esse
  • foi o primeiro e único laboratório no gênero no mundo. Eis o que fizemos: dávamos aos alunos uma série de regras sobre como deixar as preocupações de lado, pedindo-lhes que aplicassem essas regras em suas próprias vidas e depois falas- sem, na classe, sobre os resultados obtidos. Outros alunos comunicavam as técnicas que tinham empregado no passado. Como conseqüência dessa experiência, posso ter ouvido mais palestras sobre "Como evitar as preocupações" do que qualquer outro indivíduo que já apareceu na terra. Além disso, li centenas de outras palestras sobre esse mesmo tema — palestras que me eram enviadas pelo correio, palestras que conquis taram prêmios em nossos t re inamentos e que funcionavam em todas as partes do mundo. De modo que este livro não saiu de uma "torre de marfim". Ele também não é um discurso acadêmico sobre a maneira pela qual as preocupações poderiam ser superadas. Em vez disso, procurei escrever um livro ágil, conciso — um relatório documentado referente ã maneira pela qual milhares de adultos superaram as suas preocupações. Uma coisa é certa: este é um livro prático. "A ciência", afirmou o filósofo francês Valéry, "é uma coleção de receitas bem-sucedidas". Eis o que este livro é: uma coleção de receitas bem-sucedidas, e testadas, para acabar com a preocupação em nossa vida. Contudo, permita-me que o advirta: você não encontrará nele nada de novo, mas encontrará muita coisa que geralmente não é posta em prática; contudo, já que tocamos no assunto, você e eu não temos necessidade de que nos contem nada de novo. Já sabemos o suficiente para ter uma vida perfeita. Todos já lemos as regras de ouro e o Sermão da Montanha. Nosso mal não é a ignorância, mas a inércia. A finalidade deste livro é reafirmar, exemplificar, modernizar, ventilar e consagrar uma porção de verdades antigas e básicas — dar um
  • "empurrãozinho" para você fazer qualquer coisa a fim de colocá-las em prática. Você não pegou este livro para 1er a respeito de como ele foi escrito. Você quer ação. Pois bem, vamos a ela. Tenha a gentileza de 1er as primeiras quarenta páginas — e se a essa altura você não sentir que adquiriu novo poder e nova inspira- ção para pôr as preocupações de lado e gozar a vida, jogue fora este livro. Ele não serve para você. D A L E CARNEGIE
  • Nove Sugestões Sobre Como Tirar o Máximo Proveito Deste Livro 1 . Se você quiser aproveitar este livro ao máximo, há uma exigência indispensável, essencial e infinitamente importante do que quaisquer normas ou técnicas. A menos que você possua esse requisito fundamental, de pouco lhe valerão mil regras sobre como estudar; mas, se você tiver esse dom essencial, então poderá realizar maravilhas, sem precisar ler sugestão alguma sobre como tirar o máximo proveito de um livro. Qual é essa exigência mágica? Apenas isto: um grande, profundo desejo de aprender e uma forte determinação de deixar as preocupações de lado e começara viver. Como é que você pode desenvolver tal desejo? Lembran- do-se sempre de como lhe são importantes tais princípios. Imagine quanto o conhecimento desses princípios o ajudará a ter uma vida mais rica, mais feliz. Repita, constantemente, a você mesmo: "A minha paz de espírito, a minha , a minha saúde, e talvez até mesmo a minha renda, dependem muito da aplicação das antigas, evidentes e eternas verdades ensinadas neste livro." 2 . Leia cada capítulo, a princípio, rapidamente, para ter uma idéia geral do que se trata. Você, provavelmente, sentirá
  • a tentação de pular para o próximo. Mas não o faça — a não ser que esteja lendo apenas como passatempo. Mas se você estiver lendo porque quer deixar de lado as suas preocupações e começar a viver, então volte atrás e releia cada capítulo do começo ao fim. Feitas as contas, isso significará poupar tempo e obter resultados. 3. Interrompa freqüentemente a leitura para meditar sobre o que você está lendo. Pergunte a si mesmo como e quando você poderá pôr em prática cada uma das sugestões. Essa espécie de leitura lhe será mais proveitosa do que "correr" para o capítulo seguinte como um gato atrás de um rato. 4. Leia com um lápis vermelho, preto, ou com um marca-texto na mão; quando deparar com uma sugestão que lhe pareça passível der ser posta em prática, faça um traço ao lado. Se for uma sugestão muito importante, sublinhe cada sentença ou marque-a com quatro "xxxx". Marcar e sublinhar um livro torna-o mais interessante e muito mais fácil de ser consultado rapidamente. 5. Conheço uma mulher que, durante quinze anos, foi gerente de escritório de uma importante companhia de seguros. Lia, no fim do mês, todos os contratos de seguros de sua firma. Sim, lia os mesmos contratos mês após mês, ano após ano. Por quê? Porque a experiência lhe ensinara que aquela era a única maneira de guardar claramente no espírito todas as suas cláusulas. Certa ocasião, levei quase dois anos escrevendo um livro sobre como falar em público. Não obstante, de quando em quando, tenho de passar os olhos por ele, para me lembrar do que escrevi no livro. E espantosa a rapidez com que nos esquecemos. De modo que, se você quiser tirar benefícios reais e duradouros deste livro, não julgue que lhe bastará lê-lo apressadamente uma
  • vez. Depois de o ler do princípio ao fim, você terá de passar algumas horas examinando-o, todos os meses. Conserve-o a sua frente, em sua mesa, todos os dias. Corra, com freqüência, os olhos pelas suas páginas. Mantenha constantemente no espírito as grandes possibilidades de melhoria que ainda não aconteceram. Lembre-se de que o uso destes princípios só se pode tomar habitual e automático por meio da determinação e de um empenho constante de sua parte quanto a analisá-los e colocá-los em prática. Não há outra maneira. 6. Bernard Shaw observou, certa vez: "Se você nada ensi- na a um homem, ele jamais aprenderá". Shaw tinha razão. Aprender é um processo ativo. Só aprendemos fazendo as coisas. Assim, se você quiser dominar os princípios que está estudando neste livro, faça alguma coisa com eles. Aplique essas normas em todas as ocasiões. Se não fizer isso, você as esquecerá rapidamente. Só os conhecimentos que aplicamos é que permanecem em nossa mente. Você, naturalmente, pensará ser difícil pôr em prática essas sugestões em todas as ocasiões. Eu bem sei, pois escrevi este livro e, no entanto, sei ser difícil, algumas vezes, aplicar tudo o que aqui defendi. De modo que, ao lê-lo, lembre-se de que não está unicamente procurando obter informações. Você está tentando formar novos hábitos. Ah, sim: você está tentando um novo modo de vida. Isso exigirá tempo, persistência e aplicação diária. Recorra, pois, com freqüência, a estas páginas. Encare este livro como um compêndio prático sobre como superar as preocupações — e, quando você estiver diante de algum problema difícil, não fique todo agitado. Não faça as coisas que lhe parecem naturais, isto é, as coisas impulsivas. Elas habitualmente são erradas. Em vez disso, volte-se para estas páginas e reveja os parágrafos que você sublinhou. Depois, experimente esta nova técnica e veja como ela realiza verdadeiros milagres para você.
  • 7. Ofereça a cada membro da sua família um dólar toda vez que o apanharem violando um dos princípios defendidos neste livro. Eles vão levá-lo a falência... 8. Faça o favor de saltar para as páginas 272 e 273 deste livro e ler como H. P. Howell, banqueiro de Wall Street, e o velho Benjamim Franklin corrigiam os seus erros. Por que você não adota a técnica de Howell e Franklin para controlar a aplicação dos princípios discutidos neste livro? Se você o fizer, duas coisas acontecerão: Primeiro, você se encontrará empenhado num processo educacional interessante e valiosíssimo. Segundo, você verificará que a sua capacidade para pôr as preocupações de lado e começar a viver se desenvolverá como uma vegetação aquática. 9. Escreva um diário — um diário em que você anote todas as suas vitórias na aplicação destes princípios. Seja específico. Registre nomes, datas, resultados. A conservação de tal registro o incitará a maiores esforços — e como serão fascinantes essas anotações, quando você, por acaso, deparar com elas, daqui a muitos anos!
  • Nove Sugestões Sobre Como Tirar o Máximo Proveito Deste Livro Resumo NOVE SUGESTÕES SOBRE C O M O TIRAR O MÁXIMO PROVEITO DESTE LIVRO 1. Procure ter a vontade inabalável de dominar princípios paro superares preocupações; 2. Leia duas vezes cada capítulo, antes de passar para o seguinte; 3. Ao ler, detenha-se freqüentemente, para perguntar o si mesmo como é que você pode aplicar cada uma das sugestões; 4. Sublinhe todas as idéias importantes; 5. Examine este livro todos os meses; 6. Aplique estes princípios em todas as ocasiões. Use este volume como um compêndio prático que o auxilie a resolver os seus problemas quotidianos; 7. Faça deste seu aprendizado um jogo interessante, oferecendo a algum amigo um dólar cada vez que ele o pegar violando um destes princípios; 8. Analise todas as semanas os seus progressos. Pergunte a si mesmo que erros cometeu, que progressos fez, que lições aprendeu para o futuro; 9. Conserve um diário junto deste livro — um diário que mostre como e quando você aplicou estes princípios.
  • PARTE 1 Fatos Fundamentais Que Você Deve Saber a Respeito Das Preocupações Viva em ''Compartimentos Diários Hermeticamente Fechados" Na primavera de 1871, um jovem pegou um livro e leu vinte e quatro palavras que tiveram conseqüências profundas em seu futuro. Estudante de medicina no Hospital Geral de Montreal, ele estava preocupado em passar no exame final e quanto ao que deveria fazer, aonde ir, como exercer a sua profissão, como ganhar a vida. As vinte e quatro palavras lidas, em 1871, por esse jovem estudante de medicina, ajudaram-no a que se tornasse um dos médicos mais famosos da sua geração. Organizou a Escola de Medicina Johns Hopkins, de reputação mundial. Tornou-se professor régio de Medicina em Oxford — a maior distinção que pode ser concedida a um médico no Império Britânico. Foi feito cavaleiro pelo rei da Inglaterra. Quando morreu, foram necessários dois imensos volumes, contendo 1.466 pági- nas, para contar a história de sua vida.
  • Chamava-se Sir William Osler. Eis aqui as vinte e quatro palavras que ele leu na primavera de 1871 — vinte e quatro palavras de Thomas Carlyle que o ajudaram a levar uma vida livre de preocupações: "O nosso principal objetivo não é ver o que se encontra vagamente a distância, mas fazer o que se acha claramente ao nosso alcance". Quarenta e dois anos depois, numa noite suave de prima- vera, em que as tulipas se abriram no campus, esse homem, Sir Wi l l i am Os le r , fez um discurso aos a lunos da Universidade de Yale. Disse a eles que um homem como ele, que tinha sido professor em quatro universidades e escrevera um livro muito popular, era tido como dotado de um "cérebro especial". Afirmou que aquilo não era verdade. Disse que os seus amigos íntimos sabiam que o seu cérebro era "dos mais medíocres". Qual, então, foi o segredo do seu sucesso? Declarou que era devido ao que ele chamava viver em "compartimentos diários hermeticamente fechados". Que queria dizer com isso? Poucos meses antes de falar em Yale, Sir William Osler atravessara o Atlântico num grande navio, no qual o capitão, da ponte de comando, acionava um botão e — pronto! — havia um ruído de máquinas e imediatamente várias partes do navio eram isoladas, num instante, umas das outras — isoladas em compart imentos hermeticamente fechados. "Ora, cada um dos senhores" — disse o Dr . Osler aos estudantes de Yale — "constitui uma entidade muito mais grandiosa do que o transatlântico, e está destinado a uma viagem muito mais longa. O que insisto em que façam é que p r o c u r e m aprender a c o n t r o l a r de tal m o d o o seu maquinismo, que isso lhes permita viver em compartimentos diários hermeticamente fechados", como o meio mais certo de conseguirem realizar uma viagem segura. Vão à ponte de
  • comando para ver se, ao menos, as grandes anteparas estão em ordem. Apertem um botão para ouvir, em todos os níveis de sua vida, as portas de ferro isolando o passado — os dias mortos de ontem. Toquem noutro botão e separem, com uma cortina de aço, o futuro — os "amanhãs" que ainda não nasceram. Então, estão salvos — salvos por um dia!... Isolem o passado! Deixem o passado extinto enterrar os seus mortos... Afastem os "ontens", que têm levado tantos tolos a caminho do pó... O fardo de amanhã, acrescentado ao fardo de ontem e carregado hoje, faz com que os mais fortes vacilem... Isolem o futuro tão hermeticamente, como o passado... O fu turo é hoje... Não há amanhã. O dia da salvação é hoje. O desperdício de energia, a pobreza de espírito, a ansiedade nervosa, seguem os passos do homem que se sente angustiado quanto ao futuro... Fechem bem, pois, as grandes anteparas da proa e da popa, preparando-se para cultivar o hábito de viver em "compartimentos diários hermeticamente fechados". Acaso desejou o Dr. Osler dizer que não devemos fazer nenhum esforço a fim de nos prepararmos para o amanhã? Não. Absolutamente. Mas ele, ao prosseguir o seu discurso, afirmou que o melhor meio de nos prepararmos para o futuro é nos concentrarmos com toda a nossa inteligência, com todo o nosso entusiasmo, no trabalho que estivermos realizando hoje, para que ele seja o mais soberbo possível. E esse o único meio existente de nos prepararmos para o futuro. Sir William Osler conclamou os estudantes de Yale a que começassem o dia com a prece de Cristo: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje. . ." Lembre-se de que a prece pede somente o pão de hoje. Não se queixa do pão amanhecido que comemos ontem — e não diz: "O Deus, a terra, ultimamente, tem estado muito ruim
  • na plantação de trigo e poderemos ter outra seca . . . se isso acontecer, como arranjarei o pão para comer no próximo outono?"; ou "se eu perdesse o meu emprego, O Deus, como é que eu conseguiria o meu pão?" Não: essa prece nos ensina a pedir apenas o pão de hoje. Ele é o único tipo de pão que nos é dado comer. Há muito tempo, um filósofo sem nada de seu percorria um país de solo pedregoso, cujo povo enfrentava grandes dificuldades para ganhar a vida. Certo dia, muita gente se reuniu em torno dele numa colina, e ele proferiu, provavelmente, o discurso mais citado dentre os que foram feitos, em qualquer lugar, desde o começo do mundo. Esse discurso contém vinte e oito palavras que perduraram até hoje ao longo dos séculos: "E assim não andeis pensando no dia de amanhã. Porque o dia de amanhã a si mesmo trará o seu cuidado; ao dia basta a sua própria aflição." Muitos homens têm rejeitado essas palavras de Jesus: "Não andeis pensando no dia de amanhã". Rejeitaram essas palavras, na forma de um conselho para a perfeição, por achar que elas continham certo misticismo. "Eu preciso pensar no dia de amanhã", dizem eles. "Preciso fazer um seguro, para proteger a minha família. Preciso reservar algum dinheiro para a velhice. Preciso fazer planos e preparar-me para o futuro." Está certo! Naturalmente que precisa. A verdade, porém, é que essas palavras de Jesus, traduzidas há mais de trezentos anos, não significam hoje o que significavam durante o reinado do rei Jorge. Há trezentos anos, a palavra pensar significava, freqüentemente, ansiedade. As versões modernas da Bíblia citam as palavras de Jesus com mais propriedade: "Não andeis inquietos pelo dia de amanhã." Mas claro que você deve pensar no dia de amanhã: pensar e preparar-se cuidadosamente. Não deve, porém, inquietar-se.
  • Durante a Segunda Grande Guerra, os nossos chefes militares planejavam as futuras operações, mas não podiam dar-se o luxo de sentir qualquer espécie de ansiedade. "Provi os melhores homens com o melhor equipamento de que dispomos, encarregando-os das missões que parecem as mais aconselháveis. Isso é tudo o que posso fazer". Estas palavras foram ditas pelo almirante Ernest J. King, que dirigia a Marinha dos Estados Unidos. "Se um navio foi posto a pique", prosseguiu o almirante King, "eu não posso trazê-lo de novo à tona. Se tiver de ser afundado, eu não posso impedir que tal aconteça. Posso empregar muito melhor o meu tempo trabalhando para resolver os problemas de amanhã em vez de ficar me preocupando com os problemas de ontem. Além disso, se eu deixasse que essas coisas me atingissem, eu não duraria muito". Em tempo de guerra ou de paz, a principal diferença entre pensar adequadamente ou não é esta: o bom raciocínio procura analisar as causas e os efeitos, conduzindo a planos lógicos e construtivos; o mau raciocínio conduz freqüentemente à tensão e aos distúrbios nervosos. Tive recentemente o privilégio de entrevistar Arthur Hays Sulzberger (1935-1961), editor de um dos jornais mais famosos do mundo, o New York Times. O Sr. Sulzberger disse-me que, quando a Segunda Guerra Mundial varria de fogo a Europa, ele se sentia tão desorientado, tão preocupado com o futuro, que lhe era quase impossível do rmi r . Levantava-se freqüentemente da cama durante a' noite, pegava uma tela e alguns tubos de tinta, punha-se diante do espelho e procurava pintar o próprio retrato. Ele nada sabia de pintura, mas pintava assim mesmo, para tirar as preocupações do espírito. O Sr. Sulzberger me afirmou que não conseguiu jamais afastar as suas inquietações e encontrar tranqüilidade enquanto não
  • adotou como lema seis palavras de um hino religioso: "Um passo é bastante para mim". Conduze-me, luz suave... Vigia os meus pés; não peço para ver A paisagem distante; um passo é bastante para mim Mais ou menos na mesma ocasião, um jovem em uniforme — que se encontrava em algum lugar da Europa — estava aprendendo essa mesma lição. Chamava-se Ted Bengermino, e morava em Baltimore, Maryland. Sentira-se tão inquieto e atormentado, que conseguira constituir um caso grave de "fadiga de combate". "Em abril de 1945", escreve ele, "consegui, à custa de preocupações e inquietações, chegar a um estado que os médicos chamam de spasmodic transverse colon — estado que causa uma dor forte. Se a guerra não houvesse terminado quando terminou, estou certo de que teria tido um completo esgotamento físico. "Eu estava completamente exausto. Eu era oficial não comissionado na 94. Divisão de Infantaria. Meu trabalho con- sistia em organizar e manter registros de todos os homens mor- tos em ação, desaparecidos em campanhas e hospitalizados. Tinha ainda de ajudar a desenterrar os corpos tanto dos soldados aliados como dos inimigos mortos em combate, e que haviam sido sepultados apressadamente, durante o auge da batalha, em covas rasas. Precisava reunir os objetos pertencentes a esses homens e providenciar para que esses objetos fossem enviados aos pais ou parentes mais próximos, os quais poderiam atribuir grande valor afetivo a tais objetos. Sentia-me constantemente preocupado, com receio de que pudéssemos estar cometendo erros sérios e embaraçosos. Estava preocupado quanto a saber se eu chegaria ou não ao fim de tudo aquilo. Punha-me a pensar.
  • angustiado, se viveria até o momento de carregar nos braços o meu único filho — um filho de dezesseis meses que eu nunca vira. Achava-me tão apreensivo e exausto, que perdi dezessete quilos de peso. Era tal o meu nervosismo, que quase não estava mais em meu juízo perfeito. Olhava as minhas mãos. Estavam reduzidas a pouco mais do que pele e osso. Sentia-me horrorizado ao pensar em voltar para casa como um farrapo humano. Atirei-me de bruços e solucei como uma criança. Estava com os nervos tão abalados, que os meus olhos se enchiam de lágrimas sempre que me encontrava só. Houve um período — logo após o início da batalha do Bolsão de Bastogne — em que eu chorava com tanta freqüência, que quase renunciei à esperança de tornar-me novamente uma pessoa normal. "Acabei no dispensário do Exército. Um médico militar deu-me alguns conselhos que mudaram completamente a minha vida. Depois de submeter-me a meticuloso exame físico, informou-me que as minhas complicações eram mentais. "Ted", disse-me ele, "quero que você pense na sua vida como se fosse uma ampulheta. Você sabe que há milhares de grãos de areia no alto da ampulheta, e que esses grãos passam lenta e regularmente pelo estreito canal que há no meio. Nada que você e eu pudéssemos tentar faria com que mais de um grão de areia passasse por esse estreito canal sem estragara ampulheta. Quando começamos, pela manhã, tendo centenas de afazeres que sabemos ser nosso dever realizar durante aquele dia, mas, se não tomarmos um de cada vez e não os deixarmos passar, lenta e regularmente, através do dia, como os grãos de areia passam através do estreito canal da ampulheta, então estamos destinados a romper a nossa própria estrutura física e mental "Tenho praticado essa filosofia desde o dia memorável em que o médico militar a transmitiu a mim. Um grão de areia de
  • cada vez.. . Uma tarefa de cada vez. Esse conselho me salvou física e mentalmente durante a guerra, como também me auxiliou em minha posição atual. Deparei em meu trabalho com os mesmos problemas que surgiram durante a guerra: dezenas de coisas para fazer ao mesmo tempo, e pouco tempo para executá-las. Tínhamos estoque reduzido. Possuíamos novo método de t rabalho, novos arranjos de estoque, mudanças de endereços, abertura e fechamento de escritórios, e assim por diante. Em lugar de ficar num estado de tensão, nervoso, lembrava-me do que o médico me dissera. 'Um grão de areia de cada vez. Uma tarefa de cada vez.' De tanto repetir mentalmente tais palavras, realizava os meus afazeres de maneira mais eficiente, fazendo o meu trabalho sem o sentimento de confusão e perplexidade que quase me destruiu no campo de batalha." Um dos mais espantosos comentários sobre a nossa ma- neira de vida atual é que a metade dos leitos existentes em nossos hospitais é reservada a pacientes que sofrem de distúrbios nervosos e mentais, pacientes que caíram sob o fardo dos "ontens" acumulados e dos terríveis "amanhãs". No entanto, a grande maioria dessa gente estaria pelas ruas hoje, vivendo uma existência útil e feliz, se tivesse apenas seguido as palavras de Jesus: "Não andeis inquietos pelo dia de amanhã", ou as palavras de Sir William Osler: "Viva em compartimentos diários hermeticamente fechados". Neste momento, você e eu estamos no limite de duas eterni- dades: o vasto passado que se extinguiu para sempre, e o futuro, que se estende até "a última sílaba do registro do tempo". Não podemos, de forma nenhuma, viver numa ou noutra dessas eternidades — nem mesmo durante uma fração de segundo; mas, procurando fazer isso, arruinamos tanto o nosso corpo como o nosso espírito. Portanto, contentemo-
  • nos com viver o único tempo que nos é possível viver: desde este momento até a hora de irmos para a cama. "Todos podem carregar o seu fardo, por mais pesado que seja, até o cair da noite", escreveu Robert Louis Stevenson: "Todos podem realizar o seu trabalho, por mais árduo que seja, durante um dia. Qualquer um pode viver, doce, paciente, amorosa e puramente até o pôr-do-sol. E isso é tudo o que a vida realmente significa". Sim, isso é tudo o que a vida exige de nós, mas Sra. E. K. Shields, de Saginaw, Michigan, foi levada ao desespero — até quase ao suicídio — antes de aprender a viver apenas até a hora de dormir. "Em 1937, perdi o meu marido" disse-me a Sra. Shields, ao contar a sua história. "Fiquei muito deprimida, e quase sem um níquel. Escrevi, então, ao meu antigo patrão, Sr. Leon Roach, da Companhia Roach-Fowler, de Kansas City, e consegui o meu antigo emprego. Eu ganhava a vida, anteriormente, vendendo World Books aos conselhos de escalas rurais e de pequenas cidades. Vendi o meu automóvel dois anos antes, quando o meu marido caiu doente, mas consegui juntar algum dinheiro para comprar um carro usado, a prestações, e comecei de novo a vender livros. "Julgava que, pondo-me novamente pelas estradas, conse- guiria aliviar a minha depressão, mas guiar sozinha e comer sozinha foi, para mim, uma coisa quase além do que eu podia suportar. Parte da zona que me fora confiada não era muito produtiva, e era-me difícil pagar as prestações do carro, apesar de pequenas. "Na primavera de 1938, eu me encontrava percorrendo as imediações de Versailles, Missuri. As escolas eram pobres, as estradas, ruins. Sentia-me tão só e sem coragem, que cheguei, mesmo, a pensar em suicídio. O sucesso parecia-me coisa impossível. Eu não tinha razão para viver. Tinha medo de
  • levantar-me, pela manhã, e enfrentar a vida. Tinha medo de tudo: medo de não poder pagar as prestações do automóvel, de não poder pagar o aluguel do quarto em que vivia, de não dispor do suficiente para comer. Receava que a minha saúde se estivesse arruinando e que eu não tivesse dinheiro para pagar um médico. Só o que impediu de suicidar-me foi pensar que a minha irmã sofreria profundamente com isso, e que eu não tinha dinheiro suficiente para as despesas com o meu enterro. "Até que, um dia, li um artigo que me arrancou do deses- pero em que me encontrava e me deu coragem para continuar vivendo. Jamais deixarei de me sentir grata por uma frase iluminadora desse artigo: 'Cada dia constitui uma vida nova para o homem que sabe viver'. Datilografei a frase e grudei-a no pára-brisa do meu carro, onde a via durante todo o tempo em que estava dirigindo. Aprendi a esquecer os dias passados e a não pensar nos dias de amanhã. Todas as manhãs, dizia a mim mesma: "Hoje é uma nova vida". "Consegui vencer o medo da solidão e o receio de ficar na miséria. Agora, estou feliz, consegui certo êxito e sinto grande entusiasmo e amor pela vida. Sei que, doravante, jamais terei medo de coisa alguma, o que quer que seja que a vida tenha para me oferecer. Sei que não preciso temer o futuro. Sei, agora, que só posso viver um dia de cada vez — e que 'cada dia constitui nova vida para quem sabe viver'." Happy the man and happy he alone, He, who can call to-day his own: He who, secure within, can say: "To-morrow, do thy worst,forIhaveliv'dto-day". "Feliz — e o único feliz — é quem/ pode dizer que o hoje lhe pertence:/ Quem, confiante, pode dizer:/ Ó amanhã, podes ser negro, pois vivi o dia de hoje." (N. do R.)
  • Quem você supõe que escreveu esses versos? Essas palavras parecem modernas, não parecem? No entanto, foram escritas por Horácio, o poeta romano, trinta anos antes do nascimento de Cristo. Uma das situações mais trágicas que sei da natureza humana é que todos nós nos sentimos propensos a odiar a vida. Todos vivemos a sonhar com um mágico roseiral florido que está além do hor izonte , em lugar de apreciar as rosas que desabrocham hoje debaixo da nossa janela. Por que somos tão tolos — tão tragicamente tolos? "Como é estranha a pequena procissão de nossa vida!", escreveu Stephen Leacock. "A criança diz: 'Quando eu for um menino grande'. Mas que quer dizer isso? O rapazinho diz: 'Quando eu for homem' . E, depois de adulto, diz: 'Quando me casar'; mas casar — o que é isso, afinal de contas? Depois, a frase muda: 'Quando eu puder aposentar-me'. E, então, quando a aposentadoria chega, ele lança o olhar sobre o caminho percorrido. Um vento, gélido, parece varrer esse caminho e, de certo modo, ele perdeu tudo — a vida já se foi! A vida — aprendemos muito tarde —- está em se viver, está no tecido de cada dia e de cada hora." O finado Edward S. Evans, de Détroit, quase morreu de preocupação antes de aprender que a vida "está em se viver, está no tecido de cada dia e de ca,da hora". Tendo crescido em meio à pobreza, Edward Evans ganhou o seu primeiro d inhe i ro vendendo jornais , antes de t raba lhar como caixeiro de uma mercearia. Mais tarde, tendo sete pessoas que dele dependiam para comer, conseguiu um lugar de auxiliar de bibliotecário. Embora o salário fosse pequeno, t inha medo de deixar o emprego. Passaram-se oito anos antes que conseguisse criar coragem para viver por conta própria. Mas, apenas começou, transformou um emprego
  • inicial de capital de cinqüenta e cinco dólares, que pegou emprestados, num negócio próprio, que lhe rendeu, num ano, vinte mil dólares. Aconteceu, então, algo inesperado — totalmente inesperado. Endossou elevada nota de crédito para um amigo — e esse amigo faliu. Logo em seguida a esse desastre ocorreu outro: o banco onde tinha depositado todo o seu dinheiro foi à bancarrota. Não só perdeu os últimos centavos que possuía, mas também adquiriu uma dívida de dezesseis mil dólares. Os seus nervos não puderam suportar o golpe. "Eu não podia dormir nem comer", disse-me ele. "Tornei-me estranhamente doente. Preocupações e mais preocupações, acrescentou, levaram-me àquela enfermidade. Certo dia em que caminhava pela rua, desmaiei e caí na calçada. Já não podia mais andar. Colocaram-me numa cama e o meu corpo cobriu-se de bolhas. Essas bolhas tomaram também o interior do meu corpo, tornando uma tortura até mesmo a minha permanência na cama. Dia a dia a minha fraqueza aumentava. Finalmente, o meu médico me disse que eu tinha apenas mais duas semanas de vida. Senti-me chocado. Reuni todo o ânimo que me restava, e permaneci quieto no leito à espera do fim. Agora, já de nada me valia lutar ou preocupar-me. Renunciei a tudo, tranqüilizei-me e me pus a dormir. Durante semanas, não dormira duas horas consecutivas; mas agora que os meus problemas terrenos se aproximavam de seu término, dormi como uma criança. O meu enorme cansaço começou a desaparecer. Voltou-me o apetite. Readquiri peso. "Poucas semanas decorridas, eu já podia andar, com o auxílio de muletas. Seis semanas depois, já podia voltar ao trabalho. Já cheguei a ganhar vinte mil dólares por ano; agora, porém, ficaria contente com um emprego que me rendesse trinta dólares por semana. Arranjei um emprego que consistia em vender calços para colocar atrás das rodas de automóveis
  • que fossem despachados como carga. Aprendi, afinal, a minha lição. Não queria saber mais de aborrecimentos, de lamentar o que t inha acontecido no passado, de temer o fu turo . Dediquei todo o meu tempo, toda a minha energia, todo o meu entusiasmo, a vender os tais calços." Daí por diante, Edward S. Evans progrediu rapidamente. Em poucos anos era presidente da companhia. A sua firma — Evans Products Company — foi incluída durante muitos anos na lista da Bolsa de Valores de Nova York. Se você algum dia voar sobre a Groenlândia poderá aterrarissar em Evans Field — aeroporto que tem esse nome em homenagem a ele. Edward S. Evans não teria tido jamais a satisfação de conseguir tais vitórias, se não houvesse aprendido a viver em "comparti- mentos diários hermeticamente fechados". Lembre-se do que disse White Queen: "A norma é blo- quear o ontem e o amanhã, jamais, porém, o hoje": Muitos de nós agimos assim: remoemos o ontem e nos afligimos com o amanhã, em vez de, sem demora, vivermos o momento que se apresenta a nós. Até mesmo Montaigne, o grande filósofo francês, cometeu esse engano. "Minha vida", disse ele, "foi repleta de erros terríveis, muitos dos quais nunca existiram". Assim acontece com a minha vida, e também com a sua. Dante disse: "Pense que este dia jamais terá fim". A vida nos escapa com uma rapidez inacreditável. Atravessamos o espaço à média de dezenove milhas por segundo. O bem mais precioso que possuímos é o hoje. E ele o único bem que de fato possuímos. Essa é a filosofia de Lowel Thomas. Passei, recentemente, um fim de semana em sua fazenda — e notei que ele tinha na parede do seu estúdio de radioamador, numa pequena
  • moldura, de modo que as pudesse ler com freqüência, as seguintes palavras do Salmo CXVDI: Este é o dia que fez o Senhor; Regozijemo-nos e alegremo-nos nele. John Ruskin tinha sobre a sua mesa de trabalho um pedaço de pedra comum na qual havia gravada uma palavra: Hoje. Embora eu não tenha um pedaço de pedra em cima da minha escrivaninha, tenho um poema colado a um espelho, para que possa vê-lo todas as manhãs, enquanto faço a barba. E o poema que Sir William Osler conserva sempre sobre a sua mesa — um poema escrito pelo famoso dramaturgo indiano Kalidasa: SAUDAÇÃO Ã ALVORADA Cuida deste dia! Ele éa vida, apropria essência da vida. Em seu breve curso Estão todas as verdades e realidades da tua existência: A bênção do crescimento, A glória da ação. O esplendor da realização. Pois o dia de ontem não é senão um sonho E o amanhã somente uma visão. Mas o dia de hoje bem vivido transforma os dias de ontem num sonho de ventura. E os dias de amanhã numa visão da esperança. Cuida bem, pois, do dia de hoje! Eis a saudação à alvorada! De modo que a primeira coisa que você deveria saber sobre as preocupações é esta: se você quiser afastá-las da sua vida, faça o que Sir William Osler fazia: Feche as cortinas sobre o passado e o futuro. Viva em "compartimentos diários hermeticamente fechados".
  • Por que você não faz a si mesmo estas perguntas e escreve num papel as respostas? 1. Tenho tendências para adiar a vida presente, a fim de me preocupar com o futuro ou ansiar por algum "roseiral mágico que está além do horizonte"? 2. Costumo amargurar, às vezes, o presente, para lamentar coisas que aconteceram no passado — coisas que estão totalmente resolvidas? 3. Levanto-me pela manhã resolvido a "apanhar o dia" — a tirar o máximo de proveito das suas vinte e quatro horas? 4. Posso tirar mais proveito da vida vivendo em "com- partimentos diários hermeticamente fechados"? 5. Quando começarei a fazer isso? A semana que vem?. . . Amanhã?... Hoje?
  • 2 Uma Fórmula Mágica Para Resolver Situações Que Causam Preocupação Será que você gostaria de conhecer uma receita rápida, segura, para usar nas situações difíceis — uma técnica que você pudesse começar a usar desde já, antes de continuar a leitura deste livro? Deixe-me falar-lhe, então, do método adotado por Willis H. Carrier, o brilhante engenheiro que inaugurou a indústria de ar-condicionado, e que foi presidente da famosa Carrier Corporations, de Syracuse, Nova York. E uma das melhores técnicas de que já ouvi falar para resolver o problema das preocupações. Foi o próprio Sr. Carrier quem me falou dela, um dia em que a lmoçávamos jun tos no Clube dos Engenheiros, em Nova York. "Quando eu era jovem", disse-me o Sr. Carrier, "trabalha- va para a Buffalo Forge Company, em Búfalo, Nova York. Certo dia, encarregaram-me de instalar um aparelho de purificação de ar numa das fábricas de Pitsburg Plate Glass Company, em Crystal City, Missuri — uma fábrica que valia milhões de dólares. A finalidade dessas instalações era remover as impurezas do gás, de modo que pudesse queimar sem prejudicar as máquinas. Esse método de purificação de gás era novo. Fora experimentado antes apenas uma vez — e em condições diferentes. Durante o meu trabalho em Crystal Ci ty , surgiram dificuldades imprevistas. A insta lação
  • funcionava de certo modo — mas não bastante bem, de acordo com as garantias que déramos. "Fiquei petrificado ante o meu fracasso. Era quase como se alguém me tivesse dado uma cacetada na cabeça. Senti enjôo, contorções no estômago e nas vísceras. Senti-me tão preocupado, durante algum tempo, que não podia dormir. "Finalmente, o bom senso acabou por recordar-me que aquelas preocupações não estavam me levando a parte algu- ma, de modo que me pus a pensar numa saída que me permi- tisse encarar o problema sem preocupações. O método por mim adotado deu excelente resultado. Venho adotando há mais de trinta anos essa mesma técnica para combater as preocupações. E mui to simples. Qualquer pessoa pode empregá-la. Consiste em três passos: "1.° passo. Analisei sem medo e honestamente a situação, imaginando o que de pior poderia acontecer-me como resultado de tal fracasso. Ninguém me daria um tiro nem me mandaria para a cadeia. Quanto a isso, não havia dúvida. Na verdade, havia a possibilidade de perder o meu lugar — e era também possível que os meus chefes tivessem de retirar a maquinaria e perder os vinte mil dólares que haviam empregado. "2° passo. Depois de imaginar o que de pior poderia acontecer- me, procurei aceitar todas as conseqüências, se necessário. Disse a mim mesmo: Esse fracasso será um golpe em minha reputação, e talvez possa acarretar a perda do meu emprego — mas, se isso acontecer, eu sempre poderei arranjar outro lugar. As coisas podiam ser bem piores. Bem, quanto aos meus chefes, n a t u r a l m e n t e compreendem que estamos experimentando um método novo de purificação do ar, e se essa experiência lhes custa vinte mil dólares, eles bem podem agüentar tal perda. Poderão anotá-la na verba de pesquisas, pois constitui uma experiência.
  • "Depois de pensar nas piores coisas que poderiam ocorrer- me e de estar disposto a aceitá-las, se necessário, aconteceu uma coisa sumamente importante: senti-me imediatamente aliviado e fui tomado de uma sensação de paz que não experimentava havia vários dias. "3.° passo. Daquele momento em diante, procurei dedicar calmamente o meu tempo e a minha energia ao esforço de reme- diar as piores possibilidades já aceitas mentalmente. "Procurei, então, descobrir um meio de reduzir a perda de vinte mil dólares que nos ameaçava. Fiz diversas experiências e cheguei, finalmente, à conclusão de que, se gastássemos mais cinco mil dólares em equipamentos, o nosso problema seria resolvido. Fizemos isso e, em lugar de a firma perder vinte mil dólares, ganhamos quinze mil. "Provavelmente, jamais teria sido possível a mim agir dessa maneira se tivesse continuado a afligir-me, pois uma das piores coisas decorrentes da preocupação é que ela acaba com a nossa capacidade de concentração. Quando estamos preocupados, a nossa mente passa de uma coisa a outra, e perdemos todo o nosso poder de resolução. Por outro lado, quando nos obrigamos a enfrentar o pior, e o aceitamos mentalmente, eliminamos todas as idéias vagas que nos assaltam, colocando- nos numa posição que nos permite concentrar o espírito no problema que precisamos resolver. "O incidente que acabo de narrar ocorreu há muitos anos. Mas o método que adotei deu tão excelentes resultados, que jamais o deixei de empregar, e a conseqüência foi que a minha vida tem transcorrido quase sem nenhuma preocupação." Ora, por que a fórmula mágica de Willis H. Carrier é tão valiosa e prática, psicologicamente falando? Porque nos liberta das grandes nuvens cinzentas em meio às quais nos debatemos
  • quando as preocupações nos cegam. Porque ela firma solida- mente o nosso pé na terra. Ficamos sabendo onde nos encon- tramos. E se não tivermos os pés fincados na terra, de que maneira poderemos pensar de modo claro e objetivo? O Prof. William James, pai da psicologia aplicada, morreu em 1910. Mas, se hoje estivesse vivo, e pudesse ouvir esta fórmula para se enfrentar as adversidades, haveria de aprová- la de todo o coração. Como o posso saber? Porque ele disse aos próprios discípulos: "Ficai contentes de que seja assim.. . Ficai contentes de que seja assim", disse e\e, porque "a aceitação do que aconteceu é o p r imei ro passo para vencer as conseqüências de qualquer infortúnio". Lin Yutang exprimiu a mesma idéia no seu livro ampla- mente lido — A importância de viver. "A verdadeira paz", afirmou esse filósofo chinês, "advém da aceitação do que nos possa acontecer de pior. Creio que, psicologicamente, isso significa libertação de energia". Exatamente! Isso mesmo! Psicologicamente, significa libertação de energia! Quando já aceitamos o pior, não nos resta mais nada a perder. E isso automaticamente significa que... temos tudo a ganhar! "Depois de pensar nas piores coi- sas que poderiam me ocorrer", disse Willis H. Carrier, "senti- me imediatamente aliviado e fui tomado de uma sensação de paz que não experimentava havia vários dias. Daquele momento em diante, foi-me possível raciocinar". Faz sentido, não faz? No entanto, milhões de pessoas têm arruinado a sua vida com terríveis inquietações por ter-se recusado a aceitar o pior; por ter-se recusado a remediar as adversidades; por ter-se recusado a salvar do naufrágio o que ainda lhes seria possível. Em vez de procurar reconstruir as suas existências, empenham-se em amarga e "violenta luta com


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  • ......................................114 .....144 1 1 2 3 4 2 6 7 5 6 3 PARTE III C O M O ACABAR C O M O HÁBITO DA PREOCUPAÇÃO ANTES QUE ELE ACABE C O M VOCÊ 6 Como Expulsar da Mente os Suas Preocupações 8 7 Não Deixe Que os Insetos o Derrubem 9 8 Um Princípio Que Acabará Com Muitas das Suas Preocupações 10 9 Coopere Com o Inevitável 1 O Aplique Uma Ordem de Stop-Loss às Suas Preocupações 12 1 1 Não Tente Serrar Serrage 13 PARTE IV SETE MANEIRAS DE CULTIVAR UMA ATITUDE MENTAL QUE LHE PROPORCIONE PAZ E FELICIDADE 1 2 Nove Palavras Que Podem Transformar a Sua Vida 1 3 O Elevado Custo da Desforra 1 6 1 4 Se Você Fizer Isto, Jamais Se Preocupará Com a Ingratidão 17 1 5 Você Aceitaria Um Milhão de Dólares em Troca do Que Possui? 18 1 ó Procure Encontrar-se e Ser Você Mesmo: Lembre-se de Que Não Há Ninguém Mais na Terra Como Você 9 1 7 Se Você Tiver Um Limão, Faça Uma Limonada 20 18 Como Curara Melancolia em Catorze Dias 21
  • 1 300 3 ...287 1 4 266 1 256 1 PARTE V A MANEIRA MAIS PERFEITA PARA VENCER AS PREOCUPAÇÕES 19 Como Que Minha Mãe e Meu Pai Venceram as Suas Preocupações 23 PARTE VI C O M O DEIXARMOS DE NOS PREOCUPAR C O M AS CRÍTICAS 20 Lembre-se de Que Ninguém Chuta Um Cão Morto.. 21 Faça Isto — e Crítica Alguma Poderá Feri-lo 26 22 Tolices Que Cometi PARTE VII SEIS MANEIRAS DE EVITAR A FADIGA E AS PREOCUPAÇÕES E CONSERVAR A ENERGIA E O Â N I M O ELEVADOS 23 Como Acrescentar Uma Hora à Sua Vida Diária 27 24 O Que Deixa Você Cansado — e o Que Fazer Para Que Isso Não Aconteça 28 25 Como Evitar a Fadiga — e Continuar Parecendo Jovem! 26 Quatro Excelentes Hóbitos de Trabalho Que Ajudarão a Evitar o Cansaço e os Preocupações 29 27 Como Acabar Com o Tédio, Que Gera Fadiga, Preocupações e Ressentimentos 28 Como Evitar Que Nos Preocupemos Com a Insônia ........31
  • 356 353 350 348 346 345 343 341 339 337 334 325 324 320 PARTE VIII "COMO VENCI AS MINHAS PREOCUPAÇÕES" Seis Grandes Infortúnios Ocorreram-me Simultaneamente por C. J. BLACKWOOD ................................ Posso Transformar-me, Numa Hora, Em Um Intenso Otimista por ROGER W. BABSON ................................................................ Como Me Desfiz De Um Complexo De Inferioridade por ELMER THOMAS .................................................................... Eu Vivi No Jardim De Alá por R. V C. BODLEY....................................................................................... 330 Os Meus Cinco Métodos Para Acabar Com As Preocupações pe/xMxM......................................... Suportei Ontem. Posso Suportar Hoje por DOROTHY Dix..................................................................... Eu Não Esperava Viver Até A Manhã Seguinte porJ. C. PENNEY............................................................................................... Vou Até O Ginásio Boxear Com O Saco De Areia Ou Faço Um Passeio A Pé pelo CORONEL EDDIE EAGAN ............................................................................. Eu Era O "The Worrying V/reck From Virginia Tech" porJiM BIRDSALL ............................................................................................... Vivi Segundo Esta Sentença pelo DR. JOSEPH R. SIZOO............................................................ Cheguei Ao Fundo Do Poço E Sobrevivi por TED ERICKSEN ..................................................................... Eu Era Um Dos Maiores Idiotas Do Mundo por FERCY H. WHITING ................................................................ Procurei Conservar Sempre Desimpedido O Meu Caminho De Abastecimento por GENE AUTRY ....................................................................... Ouvi Uma Voz Na India por E. STANLEY JONES ............................................................... Quando O Xerife Chegou À Minha Porta por HOMER CROY ..............................................................................................
  • 362 360 393 392 384 381 379 377 376 374 372 370 368 364 O Mais Duro Adversário Que Já Enfrentei Foi A Preocupação por JACK DEMPSEY ..................................................................... Roguei A Deus Que Me Conservasse Fora De Um Orfanato por KATHLEEN HALTER ........................................................................................ Eu Estava Agindo Como Uma Mulher Histérica por CAMERON SHIPP ................................................................... Aprendi A Deixar As Preocupações De Lado Vendo Minha Mulher Lavar Pratos pelo REVERENDO W ILLIAM WOOD ........................................................................ Eu Encontrei A Resposta por DEL HUGHES ....................................................................... O Tempo Resolve Uma Porção De Coisas por LOUIS T MONTANT, JR ................................................................................... Recomendaram-me Que Me Abstivesse De Falar Ou De Mover Sequer Um Dedo por JOSEPH L. RYAN ........................................................................................... Sou Um Grande Volúvel por ORDV/AY TEAD ............................................................................................. Se Eu Não Tivesse Posto As Preocupações De Lado, Já Estaria Há Muito Na Sepultura por CONNIE MACK ...................................................................... Livrei-me Das Úlceras No Estômago E Das Preocupações, Mudando De Emprego E De Atitude Mental por ARDEN W SHARPE ................................................................. Eu, Agora, Espero A Luz Verde por JOSEPH M. COTTER ...................................................................................... De Como John D. Rockefeller Viveu, Com Tempo Emprestado, Durante Quarenta E Cinco Anos ..................... Estava me Suicidando Lentamente Porque Não Sabia Como Repousar por PAUL SAMPSON ............................................................................................. Aconteceu-me Um Verdadeiro Milagre pela SRA. JOHN BURGUER ..................................................................................
  • 408 408 406 .403 402 401 400 400 400 397 396 ............................. Como Benjamin Franklin Venceu As Preocupações ............. Estava Tão Aflita, Que, Durante Dezoito Dias, Não Provei Um Bocado Sequer De Alimento Sólido por KATHRYNE HOLCOMBE FARMER............................. Os TREINAMENTOS DE DALE CARNEGIE .................................................................. Curso de Comunicação Eficaz e Relações Humanas ............ Treinamento de Vendas Dale Carnegie ................................. Seminário de Gerência e Administração Dale Carnegie ........ Treinamento de Liderança Dale Carnegie ............................. Programa Apresentações Estratégicas de Alto Impacto ........ OUTROS LIVROS .................................................................................................... OBRAS DE DALE CARNEGIE JÁ TRADUZIDAS NO BRASIL ............................................. OBRA DE DOROTHY CARNEGIE ...............................................................................
  • Prefácio Como e Por Que Este Livro Foi Escrito Em 1909, eu era um dos rapazes mais infelizes de Nova York. Vendia motores de caminhão para viver. Mas não sabia como é que ura motor funcionava. E isso não era tudo: não queria saber. Detestava o meu trabalho. Odiava ter de viver num quarto barato e mal mobiliado, em West Fifty-six Street — um quarto infestado de baratas. Lembro-me ainda de que tinha algumas gravatas penduradas na parede, e que, pela manhã, quando estendia a mão para apanhar uma delas, as baratas corriam em todas as direções. Detestava ter