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Aos meus 23 anos eu resolvi mudar minha vida.

Sempre senti a necessidade de mudar algo, porém nunca achava o que, exatamente, era preciso ser alterado. Mudei empregos, mudei amigos, mudei as roupas e nada, nada mudou. Até que resolvi mudar meu endereço e me joguei em um intercâmbio na Irlanda/Dublin.

76112_146393858744490_3261214_n1- Atenção:

O intercâmbio de início me obrigou a ser mais atenta. Tive que aprender a prestar atenção em todos os detalhes o tempo todo. Como não sabia falar o idioma, prestava muita atenção aos gestos e ações das pessoas que já moravam no país. Lembro-me uma vez em que eu fui ao mercado e os caixas não tinham pessoas nos atendendo, era tudo máquina. Como eu não sabia perguntar como usá-las e fiquei com vergonha também, eu fiquei observando umas 5 pessoas passarem suas compras antes de mim. Quando chegou minha vez, eu nem sabia o que estava fazendo, apenas repeti os botões e pronto, passei minha compra corretamente rsrs.

2- Engolir o orgulho:

Não que eu não fosse humilde anteriormente, mas tive que reforçar esse lado. Morar em outro país e não ter a segurança de se “estar em casa” é complicado. Você é que é o “ganso” na história. Foi você quem veio de fora e você foi porque quis por tanto, nunca se esqueça disso. Tive que lidar muitas vezes com isso. Ser muito mais humilde do que o habitual, digamos. Ter humildade para pedir ajuda, e engolir o meu orgulho e a vontade de falar poucas e boas, para o atendente no banco que foi super grosso ao te atender, é um grande exemplo de superação.

3- Independência:

Mesmo não dependendo de pai e mãe financeiramente aqui no Brasil. Até mesmo pra quem mora sozinho. Somos “dependentes” muitas vezes de nossos pais, às vezes tios, às vezes amigos, enfim. Sempre contamos com alguém na hora do “perrengue”. Mas lá fora não. Não tem com quem contar, não tem com quem dividir os problemas e muitas vezes, não da nem tempo de contar o fato em uma ligação porque você precisa resolver de imediato. Eu era super acostumada até em pedir dicas de “que roupa eu coloco” pra minha mãe, tive que aprender a lidar com essa independência imposta.

4- Bom Humor:

Aahh com certeza eu aprendi no intercâmbio rs. Não, eu não era ranzinza mas, confesso que 24hs de bom humor era difícil antes do intercâmbio. Não desmerecendo minha linda cidade, São Paulo. Mas, acordar com aquela visão de Dublin, aquele Liffey lindo e a alegria que eu sentia em viver naquele país, me dava um bom humor inatingível. Mesmo que eu tivesse que estar na rua às 7am.

5- Criatividade:

Se virar nos 30 em um programa de televisão é fácil rs quero ver se virar nos 30 a cada 30 minutos em um intercâmbio. Você piscou, é preciso ser criativo. Sempre precisamos dar um jeitinho criativo de fazer algo comum. Principalmente no trabalho. Eu, quando cheguei e procurava emprego, resolvi criar meu próprio anúncio e fui entregando nas casas dizendo: “lavo, passo, cuido de crianças, etc.” enquanto todo mundo procurava pelos sites e indicação. Ninguém apostava que alguém procuraria uma brasileira sem referência, nem eu. Mas mesmo assim arrisquei e deu certo. Vivi dois anos na Irlanda de “bico” graças a essa arriscada certa.

6- Solidariedade:

Seria tão bom se aprendêssemos isso desde criança. Porque na verdade, aprendemos a ser gentis, mas não a exercer solidariedade a todo o momento. Infelizmente essa é a verdade. E quando você às vezes depende de um ato solidário de alguém, você começa a oferecer esse mesmo ato ao próximo. O intercâmbio me fez olhar muito mais ao meu redor (voltamos a lição um) e a enxergar muito mais a necessidade do outro do que apenas a minha. Oferecer sem ter o porquê, sem querer nada em troca, sem pretensão alguma além de ajudar. Parece tão cansativo, tão injusto, mas é tão bom. Fazer bem ao próximo, é fazer duas vezes mais por si internamente.

190427_174441842606358_2417140_n7- Perseverança:

Não existe nada nessa vida que eu queira e que eu não consiga. Sim, você leu certo, não existe NADA. Aprendi no intercâmbio que tudo que eu quiser eu consigo com perseverança. Não é o primeiro tombo e nem o segundo, muito menos o terceiro e qualquer tombo que me derrubar que irá me fazer desistir. E olha que os tombos tomados no intercâmbio são bem fortes e doloridos rs. Não que na vida eu já não tenha aprendido antes a correr atrás do que eu quero. Mas o intercâmbio te da uma dimensão maior da sua força de vontade e poder de fazer seu sonho se concretizar. Por mais impossível que ele possa ser na minha própria imaginação.

8- Cara de Pau:

Uma das lições mais engraçadas e importantes que aprendi ao longo do intercâmbio. E uma das mais necessárias de serem aprendidas, de verdade. Se “quem tem boca vai a Roma”, quem tem “Cara de Pau, não se da mal” (rsrs estou poeta hoje). Se unir a lição 5 (criatividade) + a lição 7 (perseverança)com essa lição 8 (Cara de Pau) = sucesso. Ainda mais se você executar com sinceridade e perfeição a lição 6 (Solidariedade), pois essas pessoas, gratas à você, com certeza vão achar uma forma de te ajudar também e isso poder ser, por que não, com uma indicação de trabalho por exemplo. Tudo que você faz de bom, volta na mesma proporção (Tô inspirada hoje)

9- Economia:

Talvez uma das lições mais duras para uma mulher que mora na Europa, é aprender a ser econômica rs. Triste lição, porém necessária. Não que o custo de vida lá seja alto, pelo menos não na Irlanda. Mas justamente por ser tudo em conta, a gente se deslumbra no começo e pode perder a noção dos gastos. Tudo muito barato, muito fácil de se comprar também pode ser um perigo. Aprender a lidar com as contas do mês, com os extras, com os gastos surpresas, tudo isso eu só aprendi quando realmente tomei a frente da minha vida e, graças ao intercâmbio eu aprendi e à Deus. Pois hoje, isso me ajuda e muito a viver sozinha aqui no Brasil.

10- Viver é diferente de Existir:

Lição obrigatória à todas as pessoas desse planeta Terra !! “Viver e não ter a vergonha de ser feliz” como diz a música. Preste atenção, é VIVER e não ter a vergonha e não EXISTIR e não ter a vergonha. Porque quem apenas existe, deve sim ter vergonha da condição que se sujeita ao mundo. Gente, a vida é o melhor presente que Deus nos deu. Vamos aproveita-la. “O mundo é muito grande para nascer, viver e morrer conhecendo apenas um único lugar.” Se permita curtir, se permita arriscar, errar, enlouquecer. . . ISSO É VIVER ! Viva como se não houvesse o amanhã e se ninguém fosse te julgar. Viva como se hoje fosse um dia “Bônus”, aquele dia onde tudo você pode e tudo você consegue. E amanhã, bom . . . quando chegar amanhã, ele será o seu hoje e HOJE é seu dia “Bônus” e siga assim sempre, eternamente!

A experiência de um intercâmbio é tão magnífica que fica até difícil repassá-la para quem ainda planeja em se jogar nessa aventura. Eu, hoje sou jornalista, trabalho em uma agência de intercâmbio e tento todos os dias mostrar para as pessoas o quanto é válido se arriscar em um intercâmbio. Esse ano eu volto a morar em Dublin e, dessa vez, vou trabalhar pela mesma empresa na qual trabalho hoje aqui no Brasil. Aliás, além de todo o aprendizado que ganhei com essa história, eu ainda ganhei um emprego no qual eu amo e me proporcionou voltar ao país que me identifiquei, a Irlanda. Então, o que eu posso dizer para quem estiver lendo esse meu texto e sente curiosidade e ao mesmo tempo medo é: Não se preocupe, se joga. Além dos seus medos existe um Deus para te guiar.

Se permita conhecer essa aventura que, pouquíssimos, mas pouquíssimos mesmo que viveram, não gostaram. Ou seja, é uma experiência incrível e que com certeza irá te trazer mudanças que vão melhorar você e o seu modo de levar a vida.

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Laís Galhardi
Laís Galhardi
Formada em Jornalismo. Ama comunicação, viagens, descobrir novas culturas e compartilhar suas experiências com outras pessoas. O seu primeiro intercâmbio cultural foi em Dublin, na Irlanda, onde viveu experiências marcantes na sua vida pessoal e profissional. Mesmo depois de ter voltado para uma temporada no Brasil, atualmente reside na capital Irlandesa e trabalha também com Intercâmbio.